Governo do Distrito Federal
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8/06/18 às 18h01 - Atualizado em 16/05/19 às 15h27

Zoo lança Plano de Ação para Redução e Uso Sustentável de Material Plástico

Resíduo plástico no Córrego Riacho Fundo (Foto: Taiane Pignataro)

A Fundação Jardim Zoológico de Brasília lançou, nesta sexta-feira (08/06), o Plano de Ação para Redução e Uso Sustentável de Material Plástico. O trabalho foi realizado com base em evidências técnicas e científicas dos impactos causados na natureza pelo uso ineficiente e manejo inadequado do plástico. A iniciativa faz parte da semana de conscientização para preservação do meio ambiente.

 

Atualmente, o manejo inadequado do plástico é uma das interferências humanas mais graves sobre muitas espécies de animais selvagens. De acordo com o diretor-presidente da FJZB, Gerson Norberto, o Plano de Ação para o uso mais racional e redução do consumo de material plástico é essencial para o atingimento das metas conservacionistas da instituição, propostas em sua lei de criação (Lei 1.813/1997).

 

Além de centenas de trabalhos publicados somente em 2018 sobre o impacto do plástico em organismos aquáticos, muitos deles exibidos na mídia nacional e internacional, levantamentos regionais também têm sido feitos no Distrito Federal e no entorno.

 

Registro de material plástico em área de Cerrado (Foto: Taiane Pignataro)

Norberto explica que, tanto o plástico, quanto suas porções em fase de degradação conhecidas como micro-plástico, causam efeitos negativos diretamente na fauna silvestre. Este impacto, que sempre é mecânico, pode ser externo (prendendo e sufocando os animais em verdadeiros armadilhas que são os emaranhados de resíduos plástico), ou internos (com a obstrução do trato digestório ou até mesmo respiratório, matando por inanição ou por sufocamento).

 

Monitoramentos realizados pela ONG Brasília É o Bicho no Cerrado registraram animais da fauna nativa como onças-pintadas, suçuaranas, tamanduás-bandeiras e veados-campeiros. Nessas mesmas atividades foram detectadas presenças de materiais plásticos até em locais com baixa ou sem presença humana, fato alarmante pois significa que o impacto está sendo causado em áreas não acessadas.

 

Para Norberto, “as imagens de poluição por materiais plásticos em áreas de Cerrado precisam nos incomodar e servir de alerta da mesma forma que fotos de campanhas internacionais em outras áreas do planeta (desertos e oceanos), como a realizada pela National Geographic”.

 

Outra campanha internacional que chama a atenção da população para a reflexão, promovida pela Conservação Internacional e lançada no Dia Mundial dos Oceanos (8/6), mostra a necessidade de preservar as águas que sofrem muitos impactos pela presença de materiais plásticos. Confira o vídeo aqui.

 

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável aderidos pela FJZB

Conservação

 

Para o diretor-presidente da FJZB, “é necessário preparar ações preservacionistas e áreas naturais ainda com boas condições ambientais para o desenvolvimento de projetos de conservação, tanto com as espécies ex-situ (como as manejadas pelo Zoológico de Brasília), quanto com locais na natureza onde a ação humana promove grande impacto”.

 

Norberto alerta que é necessário reproduzir, tratar e reabilitar os animais com os quais o Zoo de Brasília trabalha, mas também é preciso prover ações que auxiliem no processo de cura do ambiente natural, promovendo a devida reestruturação que dê suporte para soltura e reintrodução da fauna. “Sem essa ação ampla e colaborativa de todas instituições dedicadas ao tema, com apoio da sociedade civil e do poder público, não teremos para onde devolver os animais silvestres”, ele completa.

 

Meta 12 do Tratado de Aichi aderida pela FJZB

A FJZB trabalha em projetos de conservação de espécies silvestres da fauna e da flora ameaçadas junto com instituição ambientais por meio de parcerias, como com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), Corpo de Bombeiros, ONGs e projetos de atividades in-situ, como o Projeto Tatu-Canastra e o Projeto Papagaio-do-peito-roxo!.

 

Entretanto, os sucessos dos projetos conservacionistas dependem de um ambiente natural saudável para que os animais silvestres possam viver e cumprir o seu papel ecológico. Isso exige uma estrutura para boa alimentação, abrigo, reservas de água, proteção contra caça e demais interferências humanas.

 

O Plano de Ação para Redução e Uso Sustentável de Material Plástico terá as seguintes etapas:

 

1. Diagnóstico: mensuração quantitativa e análise qualitativa de todo material plástico utilizado na rotina operacional e nos serviços prestados ao público, que será elaborado pela Comissão de Coleta Seletiva Solidária, Monitoramento e Sustentabilidade da Fundação Jardim Zoológico de Brasília;

 

2. Com base nesse diagnostico, será definida a meta de redução de material plástico no âmbito da Fundação, que deverá variar inicialmente entre 40 e 60%. Esta meta é desafiadora, porém, de acordo com as primeiras avaliações da direção do Zoo, o maior percentual será atingido com o aprimoramento na gestão dos resíduos, que contará com uma nova composteira, uma unidade de itens recicláveis e atividades de capacitação e sensibilização de todos os servidores, dentro das prerrogativas da A3P (programa do Ministério do Meio Ambiente que objetiva estimular os órgãos públicos do país a implementarem práticas de sustentabilidade, aderido pela FJZB em abril de 2018).

 

3. Adequações nos Termo de Referência para aquisição de insumos veterinários, itens do setor de nutrição, insumos administrativos, aprimorando os procedimentos de compras com termos mais sustentáveis que levem em consideração embalagens mais degradáveis, reutilizáveis e/ou ainda protocolos com processos de logisticas reversas, onde as empresas que venceram os certames terão responsabilidade em receber de volta, processar e reutilizar as embalagens.

 

4. Ajustes no modelo de negócios dos permissionários que atuam dento da área da FJZB que, com o apoio do Sebrae, irão analisar estes modelos de embalagens e produtos mais sustentáveis. Os ajustes tornarão esta atividade ecológica e economicamente mais viável. Com mais eficiência e menos desperdício, todos sairão ganhando e, principalmente, o Meio Ambiente.

 

5. Ampliação das ações de campo da FZJB que, em parceria com o Ibram, com as Regiões Administrativas e os Conselhos Municipais de Desenvolvimento do Meio Ambiente (Comdema), passaram a desenvolver projetos sócio- ambientais mais frequentes como mutirões de limpeza do Córrego do Guará e do Riacho Fundo, replantio de matas ciliares e palestras sobre coleta seletiva e sobre o impacto de resíduos plástico sobre a fauna silvestre.

 

Todas as providencias para pôr o plano em prática já estão em andamento e, com isso, a FJZB além de atender a sua missão institucional, também cumpre objetivos internacionais como as Metas de Aichi (com proposições voltadas à redução da perda da biodiversidade em âmbito mundial) e com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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