Governo do Distrito Federal
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2/10/19 às 18h44 - Atualizado em 2/10/19 às 19h10

Zoo esclarece quadro de saúde da Maya e óbito de seu irmão, Dandy

 

Fotos: Ivan Mattos/Divulgação Zoológico

A Fundação Jardim Zoológico de Brasília reuniu a imprensa na manhã desta quarta-feira (2) para esclarecer o óbito do tigre-de-bengala Dandy e atualizar o quadro de saúde de sua irmã, Maya. Participaram da coletiva de imprensa a superintendente de conservação e pesquisa do Zoo, Ana Raquel Faria e os médicos veterinários Luisa Helena Rocha, Carlos Henrique Saquetti, Jairo Santos, Rodrigo Rabelo e Betânia Borges.

 

Inicialmente, a mesa técnica realizou um breve resumo de todos os procedimentos feitos nos dois tigres. Em 12 de setembro, a equipe de médicos veterinários fez um exame preventivo na Maya, em que foi detectada uma infecção no útero. Diante o diagnóstico, marcou-se a cirurgia para a retirada do útero e dos ovários, que aconteceu em 14 de setembro.

 

Cinco dias após o procedimento, houve o rompimento das suturas abdominais da Maya com vazamento de seroma e evisceração, ou seja, saída das vísceras pela abertura da incisão cirúrgica. A equipe técnica imediatamente se reuniu para conter a situação e outro procedimento cirúrgico foi realizado para remover o tecido necrosado do intestino e interligar os dois pontos vivos.

 

Novamente, cinco dias após o segundo procedimento, ocorreu ruptura de pontos internos. Foi quando Maya passou por um procedimento de contenção de danos, seguido de mais uma cirurgia. “Quando a cavidade foi aberta, constatou-se um novo rompimento, no seguimento de alça do intestino. Fizemos e estamos fazendo tudo que é possível, diante do manejo de um tigre de 120kg”, explica Rodrigo Rabelo, intensivista veterinário parceiro do Zoológico.

 

Contudo, atualmente, Maya segue estável e se recuperando com uma bolsa de ileostomia. Além disso, todos os dias a equipe técnica de médicos veterinários faz os exames de rotina e a higienização da sutura. “A Maya está sendo tratada com todo o aparato necessário para a sua recuperação”, disse Rabelo.

 

Dandy

Maya somente está viva devido a uma transfusão de sangue feita pelo seu irmão, Dandy. Durante a terceira cirurgia, ocorrida em 26 de setembro, detectou-se que a porcentagem de hemácias no sangue da Maya estava 3 vezes abaixo do normal para a sua espécie, sendo necessário uma transfusão de emergência.

 

Por isso, no mesmo dia, a equipe técnica realizou a contenção do Dandy para a coleta de sangue. A expectativa era que fosse doado 2,5 litros, quantidade adequada para um animal de 150 kg. Durante o monitoramento da coleta, os médicos veterinários perceberam que havia alteração no quadro clínico. Foi quando, então, decidiram colher apenas 1,3 litros de sangue, considerado o mínimo necessário para salvar a Maya.

 

Durante a transfusão de sangue do Dandy, os veterinários coletaram uma amostra para fazer exames, procedimento que já estava agendado para acontecer logo em seguida aos da Maya. Nos dois dias seguintes, Dandy estava aparentemente bem. Mas, no dia 29 de setembro, Dandy amanheceu apático sem responder aos estímulos e veio a óbito, apesar das intervenções médico veterinárias. O resultado de exames de sangue do Dandy constatou que ele estava com insuficiência renal a nível moderado. Mas somente o laudo histopatológico, daqui a 30 dias, irá confirmar a causa da morte.

 

Consanguinidade

A variedade branca do tigre-de-Bengala foi gerada por cruzamentos consanguíneos, ou seja, todos os tigres-brancos descendem de um único indivíduo e os filhos deste. Em 1951, na Índia, um marajá induziu a reprodução de um tigre-branco com uma tigresa-de-bengala normal, de cor alaranjada. Então, esse marajá pegou os filhotes e cruzou com o pai, para que todos nascessem brancos. A perpetuação do tigre-branco ocorreu desta forma até junho de 2011, quando a Assoaciação Norte-Americana de Zoos e Aquários recomendou que não se reproduzissem mais tigres-brancos e alguns zoológicos também tomaram esta decisão de maneira independente, como Brasília e São Paulo. Esta decisão foi feita baseada no fato da consanguinidade levar ao desenvolvimento de vários problemas de saúde no animal, o que implica uma menor longevidade. Por isso, a expectativa de vida dos tigres-de-Bengala brancos é considerada de aproximadamente 12 anos. Tanto o Dandy quanto a Maya nasceram em 2009.

 

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